Vai nascer um bebé!

A família vai aumentar e esta fase é geralmente vivida com alegria e expectativa pelos pais, tios, avós e irmãos e irmãs mais velhos.

Muitas vezes existe a preocupação de como irão reagir as crianças da família à chegada de mais um membro. Ter irmãos é algo positivo, mas será que as crianças o vão sentir assim? Nem sempre…

Quando pensamos em preparar uma criança para a chegada de um irmão, há alguns pontos sobre os quais vale a pena refletir:
- Ponha-se no lugar dela.
Como se sentiria se, de repente, uma família até agora só sua fosse “invadida” por alguém, ainda por cima mais frágil, mais dependente e às vezes mais engraçado? Como reagiria? O que precisaria que os seus pais fizessem ou lhe mostrassem?

- Antecipe.
É frequente e normal que as crianças se sintam ameaçadas por um bebé, com medo de perder o amor dos pais, de serem substituídas ou abandonadas. Desde que a gravidez é anunciada, assegure que continuará a amá-la e a protege-la, embora ame outras pessoas – como o bebé. Pode também explicar que terá que dividir o tempo e a atenção, mas nunca o amor. Que continuará a estar presente e disponível. Diga isto mesmo que a criança não questione. E repita!

- Gira as expectativas.
Explique que será um bebé, que dormirá grande parte do tempo, poderá chorar e precisar de colo e de atenção. Não será um companheiro de aventuras, jogos e brincadeiras (durante largos meses). Assim evitará uma enorme desilusão no seu filho quando vir o irmão pela primeira vez: “Afinal, é isto? Estava à espera de um mano com quem brincar…”.

- Inclua a criança na gravidez.
Se ela quiser, leve-a a uma ecografia, peça-lhe opinião na escolha de roupinhas, envolva-a na reorganização do espaço. Se forem partilhar o mesmo quarto, deixe-a participar nesta decisão, tendo em conta que é o quarto dela, o seu espaço pessoal, que vai ser invadido. Não é simpático simplesmente impor…

E quando nascer o bebé?

- Evite ter o bebé ao colo quando a criança o vir pela primeira vez, e não insista para que o veja e lhe toque. Dê-lhe atenção exclusiva e dê-lhe tempo para que queria descobrir por si própria aquela pequena pessoa que ali está.

- O bebé pode oferecer um presente ao irmão ou à irmã mais velha, como prova de simpatia e que veio em paz, sem intenção de o “destronar”.

- Quando regressarem a casa, deixe que seja o mais velho a mostrar a casa ao bebé e a explicar-lhe as regras.

- Proponha à criança envolver-se em momentos em que cuidam do bebé, como o banho, mas sem pressionar.

- Em momentos mais íntimos, como a amamentação ou o adormecer, procure, se possível, que alguém esteja disponível para a criança. Se não for possível, envolva-a nesse momento. Por exemplo, pode segurar a cabeça do bebé enquanto o alimenta, ou estar sentada ao pé da mãe.

- É natural que a criança possa regredir: voltar a usar chucha, acordar durante a noite, fazer xixi, querer sopa passada ou até mesmo mamar. Também poderá fazer mais birras ou demonstrar que não gosta do bebé e que não o quer lá. Tudo isto são formas de se fazer pequenino para ter a atenção dos pais, tal como o bebé tem. Valorize, diga-lhe que percebe que possa querer ser bebé como o mano, mas que os pais gostam dele exatamente como é e que têm imenso orgulho em ter um filho tão crescido, que já sabe falar, comer sozinho, brincar, e tantas outras coisas que o bebé não faz. Mais uma vez, repita!

Os primeiros tempos poderão não ser fáceis, por isso não se inibam de pedir ajuda. À família e aos amigos, que podem apoiar-vos nas rotinas, e a profissionais, que vos podem ajudar a gerir a nova dinâmica da família.