A palavra escola remete-nos para a imagem de um edifício cheio de crianças, alegres em alvoroço, para salas de aulas com mesas e cadeiras e, claro, professores, para cadernos, canetas, testes e avaliações.

Mas a escola é muito mais do que isso. É o local onde as crianças passam a maior parte do seu dia, e palco de muitas e diversificadas aprendizagens, muito para além da académica. E que são mais determinantes na formação da personalidade, na auto-estima da criança e até no seu sucesso profissional, do que as matérias aprendidas e as notas no final de cada etapa.

Ora veja:

- Socialização: escola = colegas, amigos. Aqui as crianças aprendem a partilhar, a dar e receber, a brincar em conjunto, a distinguir colegas de amigos.

- Justiça: Aprendem também a estabelecer e cumprir regras, e a sinalizar quando não são cumpridas. A julgar e a aplicar penas.

- Assertividade: manifestar o que querem, os seus interesses, expor as suas ideias perante os outros.

- Resolução de conflitos: duas crianças querem o mesmo brinquedo e “lutam” por ele. Não o podem ter ambos em simultâneo, por isso há que argumentar, negociar, resolver e decidir.

- Moralidade: aprender que bater, morder, empurrar, roubar, mentir é errado. Porquê? Porque experimento que mo façam a mim e percebo que me faz sofrer, e não gosto. Aprender também a reparar: pedir desculpa, evitar fazer novamente.

- Descoberta de talentos: na escola as crianças podem descobrir se têm jeito para cantar, para as artes ou para determinado desporto. Podem treinar essas competências, e sentir-se valorizadas, únicas, capazes.

Claro que, para que estas aprendizagens sejam oportunidades de crescimento saudável e feliz – em vez de experiências traumáticas e humilhantes – a escola deve ser um espaço de harmonia, no qual os adultos têm o papel fundamental de promover, regular e intervir quando necessário. E é verdade que em muitas – demasiadas – escolas não é este o ambiente que se vive. O papel dos pais tem que ser forçosamente ativo. Devem ser uma presença assídua, acompanhar de perto e intervir, exigindo o melhor para os seus filhos (mas respeitando e promovendo a autoridade dos professores e auxiliares).

Inês Pessoa e Costa e Rita Vilhena